sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
UMA LETRA À PROCURA DE UM MÚSICO

RAIO DE LUZ
(Em homenagem a atriz Cláudia Raia, aos meus olhos, uma das maiores atrizes brasileiras da atualidade).
(Em homenagem a atriz Cláudia Raia, aos meus olhos, uma das maiores atrizes brasileiras da atualidade).
Por João Batista do Lago
Quando ela surge
Pelos palcos da vida
Um raio de luz... Reluz!
Traduz no olhar
No leve balé do seu corpo
Toda emanação da lira
Que encanta o meu sonhar
No verso e na prosa (e)
Faz-me rir. Faz-me chorar.
E assim vou vivendo
Na raia do tempo querendo
Um instante sequer no palco
Ser um pouco do talco
Que embeleza seu rosto
Ser o batom que beija cada palavra
Que lavra na alma do ouvinte
Toda felicidade que raia
Na divinal comédia da vida
Ou mesmo na tragédia dolorida
A mais doce canção verberante
Na alma deste Sansão errante.
Quando ela surge
Pelos palcos da vida
Um raio de luz... Reluz!
Traduz no olhar
No leve balé do seu corpo
Toda emanação da lira
Que encanta o meu sonhar
No verso e na prosa (e)
Faz-me rir. Faz-me chorar.
E assim vou vivendo
Na raia do tempo querendo
Um instante sequer no palco
Ser um pouco do talco
Que embeleza seu rosto
Ser o batom que beija cada palavra
Que lavra na alma do ouvinte
Toda felicidade que raia
Na divinal comédia da vida
Ou mesmo na tragédia dolorida
A mais doce canção verberante
Na alma deste Sansão errante.
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
DAVOS

DAVOS
Por João Batista do Lago
...e assim calo o meu silêncio,
já tão calado
e tão sofrido,
diante do discurso alegre,
miseravelmente alegre,
dos senhores
donos do mundo,
agora amedrontados
com a hipótese do fim.
...e assim escorrego para dentro de mim,
o mais profundo possível,
para esconder-me das migalhas sobrantes
do banquete hegemônico da dominação,
da farra verberante de enganação
que irá flagelar povos e nações,
num novo modo de enriquecimento
transformando o presente momento
em “belos” discursos de novas flagelações.
...e assim, povos e nações
continuarão reféns do empobrecimento,
sem notar o enredo do esquecimento,
sem perceber a marcha do enriquecimento
que há por trás dos grandes discursos,
sambas-enredos dos carnavais do mundo,
onde o cidadão não passará de mero vagabundo,
modo de produção da dominação
dos senhores comensais donos do mundo.
...e assim o eco – sem eco –
das multidões, enfim,
aceito no banquete dos ricos comensais
será comido como sobremesa,
mas expelido será, como estrume
que adubará o pomar da riqueza,
que irá produzir povos e nações
- belos frutos de miséria e pobreza -
reféns de ricos senhores produtores de dominações.
Por João Batista do Lago
...e assim calo o meu silêncio,
já tão calado
e tão sofrido,
diante do discurso alegre,
miseravelmente alegre,
dos senhores
donos do mundo,
agora amedrontados
com a hipótese do fim.
...e assim escorrego para dentro de mim,
o mais profundo possível,
para esconder-me das migalhas sobrantes
do banquete hegemônico da dominação,
da farra verberante de enganação
que irá flagelar povos e nações,
num novo modo de enriquecimento
transformando o presente momento
em “belos” discursos de novas flagelações.
...e assim, povos e nações
continuarão reféns do empobrecimento,
sem notar o enredo do esquecimento,
sem perceber a marcha do enriquecimento
que há por trás dos grandes discursos,
sambas-enredos dos carnavais do mundo,
onde o cidadão não passará de mero vagabundo,
modo de produção da dominação
dos senhores comensais donos do mundo.
...e assim o eco – sem eco –
das multidões, enfim,
aceito no banquete dos ricos comensais
será comido como sobremesa,
mas expelido será, como estrume
que adubará o pomar da riqueza,
que irá produzir povos e nações
- belos frutos de miséria e pobreza -
reféns de ricos senhores produtores de dominações.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
SONETOS
Homo I
O pós-moderno vigente
Continua sempre latente
Na fala desse ser ausente
Sem linguagem poente
O pós-moderno da gente
Transcende o ser imanente
Dá-lhe a fala de um crente
Toma-lhe a linguagem da mente
O pós-moderno assim somente
Desfaz a razão consciente
Dá vida ao homem carente
Das cidades cheias desses viventes
Tolos autônomos dependentes
Pobres humanos inconscientes
Homo II
Este parido de Gaia vai vivendo
Trôpego humano segue sofrendo
Antrópico espírito em si crendo
Mata a Natureza que pensa tendo
Tolo homem que vai si morrendo
A cada espécie por ele desaparecendo
A cada desesperar do mais querendo
Fazer-se dono supremo num crescendo
Aos poucos neste seu atuar horrendo
Inconsciente sua tragédia vai fazendo
Na desrazão do novo sempre nascendo
O epíteto de toda geração morrendo:
“Que se dane a gente transcorrendo
a mim interessa mais e mais rico sendo”
Homo III
E neste claro nominalismo recalcitrante
Segue só este louco homem construindo
Sua ganância que a Natureza vai destruindo
Sem permitir às novas gerações que vão surgindo
Que a paz construa nos homens o verso lindo
E em cada ser do novo ser se vá obstruindo
A louca chama de guerras que se estão evoluindo
Nos campos dos petróleos se estão consumindo
Tolos são esses senhores donos do mundo
Perdeu-se a razão feito assassino vagabundo
Perdeu toda a Ciência o bem mais profundo
De garantir ao homem deste novo mundo
A sina de não ser apenas retirante moribundo
Deste universo que de ser em mim se faz fundo
O pós-moderno vigente
Continua sempre latente
Na fala desse ser ausente
Sem linguagem poente
O pós-moderno da gente
Transcende o ser imanente
Dá-lhe a fala de um crente
Toma-lhe a linguagem da mente
O pós-moderno assim somente
Desfaz a razão consciente
Dá vida ao homem carente
Das cidades cheias desses viventes
Tolos autônomos dependentes
Pobres humanos inconscientes
Homo II
Este parido de Gaia vai vivendo
Trôpego humano segue sofrendo
Antrópico espírito em si crendo
Mata a Natureza que pensa tendo
Tolo homem que vai si morrendo
A cada espécie por ele desaparecendo
A cada desesperar do mais querendo
Fazer-se dono supremo num crescendo
Aos poucos neste seu atuar horrendo
Inconsciente sua tragédia vai fazendo
Na desrazão do novo sempre nascendo
O epíteto de toda geração morrendo:
“Que se dane a gente transcorrendo
a mim interessa mais e mais rico sendo”
Homo III
E neste claro nominalismo recalcitrante
Segue só este louco homem construindo
Sua ganância que a Natureza vai destruindo
Sem permitir às novas gerações que vão surgindo
Que a paz construa nos homens o verso lindo
E em cada ser do novo ser se vá obstruindo
A louca chama de guerras que se estão evoluindo
Nos campos dos petróleos se estão consumindo
Tolos são esses senhores donos do mundo
Perdeu-se a razão feito assassino vagabundo
Perdeu toda a Ciência o bem mais profundo
De garantir ao homem deste novo mundo
A sina de não ser apenas retirante moribundo
Deste universo que de ser em mim se faz fundo
segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
sábado, 13 de janeiro de 2007
Equus est...
Fonte: http://horabsurda.com/moodle/Por João Batista do Lago
Ah, os cavalos! Tão belos... tão sensuais!
Símbolo de deuses... e de todas as deusas!
Representantes de todas as belezas
Troféu de vencedores sobre os vassalos
Assim são os cavalos!
Fiéis adversários de homens – e de deuses
Encantantes de todas as musas – e de mulheres
Estética da força e da potência
E das fêmeas toda vontade de querência
Assim são os cavalos!
D’outro e deste lado dos mares
As Náusicaas de Ulisses reúnem
Nos seus muitos cantares
Seus sonhos em belos vagares
E ofertam-nos aos seus cavalos
Deixando aos homens – esses vassalos –
A perfídia de não serem cavalos...
De apenas serem vulgares humanos
Por isso não são homens capazes
De serem amados como os muares
Ainda que somente em sonho fosse
Quem me dera poder ter-te sobre o torso
Ungir teu sexo na minha pele... no meu corpo
Viajar contigo sobre os mares toda volúpia
Sobrevoar para além dos ares
Até atingir o paraíso dos amores
Até nos extasiar de gozos cavalares
Ah, que bom seria ser-me Centauro!
Assim não sentiria culpa de ser vassalo
E assim seria teu amante... Teu homem-cavalo
(Esses tão-prazerosos gozos por cavalos
faz-me deles todos ter ciúmes...
Mas ciúme é representação da mente racional,
aparência tão-somente do homem animal.)
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
HOMEM LOBO LOBO-HOMEM
DITIRAMBOS
Amanheço com nítida sensação
De vitória a qualquer custo
Não importa em quem o susto
Aos porcos, a carne;
Meu troféu: a pele do leão.
Que me importa o pobre,
O miserável cidadão?
Esse tipo de gente “nobre”
É “filé” de toda religião...
Danem-se, pois, no inferno cristão.
E assim aconteça em toda região
Danem-se restos humanos
Dane-se o pagão; dane-se o cristão
Que importam ambos?Da vida são apenas ditirambos.
LOBOS
Os lobos caminham em procissão
Pelas ruas da cidade vagam
Como sombras inatas
É uma multidão de nadas
São apenas lobos
Lobos de gente
Lobos sem almaLobos carentes
Amanheço com nítida sensação
De vitória a qualquer custo
Não importa em quem o susto
Aos porcos, a carne;
Meu troféu: a pele do leão.
Que me importa o pobre,
O miserável cidadão?
Esse tipo de gente “nobre”
É “filé” de toda religião...
Danem-se, pois, no inferno cristão.
E assim aconteça em toda região
Danem-se restos humanos
Dane-se o pagão; dane-se o cristão
Que importam ambos?Da vida são apenas ditirambos.
LOBOS
Os lobos caminham em procissão
Pelas ruas da cidade vagam
Como sombras inatas
É uma multidão de nadas
São apenas lobos
Lobos de gente
Lobos sem almaLobos carentes
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
POESIAS LATINAS
Ennoblecido corazón
Joao Batista Lago
En esta tierra de Dios
En este solo amado
Pero desmigajado
Apartado y desvergonzado
Cambia el hombre por lo bajo
Dominio de la globalización
Recogido por los imperialistas
Colonialistas de los pueblos
Sur-latino-americanos.
Sin embargo los hombres
No se quedaram jamais
Adelante la invitación engañosa
De los brujos de la mercancía
De los espíritus reales.
Nuestros hermanos carnales
En nosotros es ennoblecido corazón
Que se acuerda a la revolución
Como una invitación a la fiesta
De la libertad y de la liberación
De todos los jugos asombrosos
Haciendo así del sueño
El nuevo hombre calificado
En mirar el nuevo mundo.
Mi patria es la tierra
Sur-latino-americana
Mi corazón es la tierra
¡Brasileña!
Circular a mis hermanos
Por João Batista do Lago
Hermanos del mundo
La expansión engañosa
La felicidad ilusoria
Ofrecida a nosotros
Hace mucho tiempo
Queda nuestra morada
Desandando nuestras vidas
Asesinando nuestras esperanzas
Hermanos del mundo
La muerte da Gaia
Es el fallecimiento de nosotros...
Con la muerte de Gaia
Fallecemos con ella
Quedados ante la fiesta desgraciada
De hombres carrascos
Productos del capitalismo cruel
Hermanos del mundo
Llanamente morimos...
Que hacer delante de los carrascos?
Asesinos indomables del pueblo...
Que hacer hermanos del mundo?
Esperar por Dios? Oh, no!
Dios no Es responsable
Por la miserabilidad e ganancia
Hermanos del mundo
La invitación es forzosa
Clama a detenerse la muerte da Gaia
Clama a evitarse la muerte de los hijos – nosotros
Clama a vencerse la ganancia
De los brujos capitalistas
Señores de la miserabilidad
Asesinos de la humanidad
Joao Batista Lago
En esta tierra de Dios
En este solo amado
Pero desmigajado
Apartado y desvergonzado
Cambia el hombre por lo bajo
Dominio de la globalización
Recogido por los imperialistas
Colonialistas de los pueblos
Sur-latino-americanos.
Sin embargo los hombres
No se quedaram jamais
Adelante la invitación engañosa
De los brujos de la mercancía
De los espíritus reales.
Nuestros hermanos carnales
En nosotros es ennoblecido corazón
Que se acuerda a la revolución
Como una invitación a la fiesta
De la libertad y de la liberación
De todos los jugos asombrosos
Haciendo así del sueño
El nuevo hombre calificado
En mirar el nuevo mundo.
Mi patria es la tierra
Sur-latino-americana
Mi corazón es la tierra
¡Brasileña!
Circular a mis hermanos
Por João Batista do Lago
Hermanos del mundo
La expansión engañosa
La felicidad ilusoria
Ofrecida a nosotros
Hace mucho tiempo
Queda nuestra morada
Desandando nuestras vidas
Asesinando nuestras esperanzas
Hermanos del mundo
La muerte da Gaia
Es el fallecimiento de nosotros...
Con la muerte de Gaia
Fallecemos con ella
Quedados ante la fiesta desgraciada
De hombres carrascos
Productos del capitalismo cruel
Hermanos del mundo
Llanamente morimos...
Que hacer delante de los carrascos?
Asesinos indomables del pueblo...
Que hacer hermanos del mundo?
Esperar por Dios? Oh, no!
Dios no Es responsable
Por la miserabilidad e ganancia
Hermanos del mundo
La invitación es forzosa
Clama a detenerse la muerte da Gaia
Clama a evitarse la muerte de los hijos – nosotros
Clama a vencerse la ganancia
De los brujos capitalistas
Señores de la miserabilidad
Asesinos de la humanidad
segunda-feira, 1 de janeiro de 2007
PASSAGEM DE ANO
Por João Batista do Lago
O céu da cidade brilha
Fogos coloridos dançam no ar
É um balé de fogos em explosões
Manifestação de corações
Que se juntam no tim-tim de taças
Cheias de vinho e esperanças
Vazias na hora seguinte dos abraços
Revelam o novo ano das desgraças
Que se eternizarão nas massas
Adeus Ano Velho!
Feliz Ano Novo!
E assim o eterno decadente povo
Arrimo da existência perdida
Festeja nos banquetes sua diáspora
Esquece toda dor... toda miséria sofrida
E embriaga-se de novos sonhos
E adormece sua consciência
E cala sua guerra na paz conveniente
E aceita o “ora pro nobis!” convincente
Que consome toda alma e toda mente
Adeus Ano Velho!
Feliz Ano Novo!
O céu da cidade brilha
Fogos coloridos dançam no ar
É um balé de fogos em explosões
Manifestação de corações
Que se juntam no tim-tim de taças
Cheias de vinho e esperanças
Vazias na hora seguinte dos abraços
Revelam o novo ano das desgraças
Que se eternizarão nas massas
Adeus Ano Velho!
Feliz Ano Novo!
E assim o eterno decadente povo
Arrimo da existência perdida
Festeja nos banquetes sua diáspora
Esquece toda dor... toda miséria sofrida
E embriaga-se de novos sonhos
E adormece sua consciência
E cala sua guerra na paz conveniente
E aceita o “ora pro nobis!” convincente
Que consome toda alma e toda mente
Adeus Ano Velho!
Feliz Ano Novo!
sábado, 30 de dezembro de 2006
MEUS "AIS"
(Para Otília Martel [Portugal])

Por João Batista do Lago
Alma minha além mares
Teus desejos de felicidades
São ecos dos teus cantares
Que rompem dificuldades
Viajam mundo afora
E se despejam em todos lugares
Aceito-os. Os teus desejos
São bem-quereres
Que se fixam nos meus umbrais
Até que a eternidade
Toda prenhe de felicidade
Ouça os meus "ais"
E nos junte por toda eternidade.

Por João Batista do Lago
Alma minha além mares
Teus desejos de felicidades
São ecos dos teus cantares
Que rompem dificuldades
Viajam mundo afora
E se despejam em todos lugares
Aceito-os. Os teus desejos
São bem-quereres
Que se fixam nos meus umbrais
Até que a eternidade
Toda prenhe de felicidade
Ouça os meus "ais"
E nos junte por toda eternidade.
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
NOLONTADE
Por João Batista do Lago
Não me ofereçam
a “nolontade”
como prêmio
perene de verdade
Do mundo tenho
apenas o meu corpo
No mundo tudo mais
é representação
O amor: pura ficção
apenas vontade de viver
A felicidade: pura ficção
apenas medo de sofrer
[...]
Mas
porventura
não sou feito do insano
matéria da dor
alma da irracionalidade?
[...]
Ah, a ausência
não tem essência
mesmo na representação
não tem consciência
é pura vida de anulação.
Afasta de mim esse cálice
de nolontade
de escravidão da verdade
Apesa de toda chatice
quero a vida vivê-la
com intensidade
sem pensar jamais morrê-la
Não me ofereçam
a “nolontade”
como prêmio
perene de verdade
Do mundo tenho
apenas o meu corpo
No mundo tudo mais
é representação
O amor: pura ficção
apenas vontade de viver
A felicidade: pura ficção
apenas medo de sofrer
[...]
Mas
porventura
não sou feito do insano
matéria da dor
alma da irracionalidade?
[...]
Ah, a ausência
não tem essência
mesmo na representação
não tem consciência
é pura vida de anulação.
Afasta de mim esse cálice
de nolontade
de escravidão da verdade
Apesa de toda chatice
quero a vida vivê-la
com intensidade
sem pensar jamais morrê-la
segunda-feira, 25 de dezembro de 2006
VIRTUDE E PODER
João Batista do Lago
Convocado pelo editor deste portal a escrever sobre estes tempos, em princípio, tinha a intenção de recusar a deferência. O motivo da pretensa escusa era estritamente pessoal. Pensava tomar estes dias para dar-me a possibilidade de vivenciar uma experiência monacal. Era minha idéia e intenção refletir sobre a arte da Virtude e do Poder. Mas esconder-me já não seria contradizer a “Arete”? Não seria contra-senso pensá-la só e solitariamente? Foi aí que me ocorreu repensar o convite e aceitá-lo prontamente. Se minha exteriorização reflexional se fará essente em terceiros é coisa de somenos importância... Pessoalmente acredito que compartilhar com alguém – um que seja! – é a travessia para uma nov
a realidade... para uma nova experiência de vida... para o atingimento de um novo saber! Portanto resta-me dizer, tal qual Júlio César, ao atravessar o rio Rubicão com suas tropas, contrariando a ordem do Senado romano, em 49 a.C.: “alea jacta est” (a sorte está lançada).
Esta minha reflexão tem origem com os Sofistas. Estes pensavam (e assim agiam) que a Arete (virtude) podia ser ensinada para os jovens helênicos, aristocratas da burguesa Athenas, que se interessavam pelas questões do Estado. Aqueles jovens queriam aprender a virtude para exercerem o poder. Eis aqui o primeiro grande problema que me ocorre: pode, a Virtude e o Poder, fazerem parte de um mesmo corpo orgânico? Serem uma e a mesma coisa? Ou, a Virtude é incompatível com o Poder? Ou, a Virtude contem em si o Poder? Ou, o Poder difere da Virtude? Evidentemente que este problema sugere e pressupõe uma longa tese. Entretanto, neste artigo, não tenho a mínima intenção de assim proceder por razões óbvias: o tempo e o espaço, aqui, não permitem tal procedimento. Apesar disso, penso, o período atual favorece-me à reflexão.
Traçando um paralelo analogístico, ou seja, uma parecença, isto é, criando semelhanças de funções entre elementos dentro de suas respectivas totalidades, podemos, verificar por conclusão, que, os sofistas modernos são os nossos atuais marqueteiros políticos. E por quê traço essa analogia? Por quê aqueles (os sofistas) como estes (os marqueteiros) têm um fundamento em comum: ganhar dinheiro fácil com o seu ofício. A contestação da existência daqueles (os sofistas) não difere da contestação destes (os marqueteiros), ou seja, o método de educação não cria e nem favorece a Arete ou Virtude. Isto não significa dizer que, tanto na época da Sofística quanto na atual época dos marqueteiros políticos, o ofício, em si, não tenha algum tipo de valor. Tampouco se está dizendo aqui que o trabalho não deva ser remunerado. São conceitos que não cabem neste artigo. (Vê-se, pois, assim, que a origem do Marketing Político é mais antigo do que pressupõe a vã filosofia política da modernidade.)
O que tudo isso tem a ver com o problema criado lá atrás: pode, a Virtude e o Poder, fazerem parte de um mesmo corpo orgânico? Serem uma e a mesma coisa? Ou, a Virtude é incompatível com o Poder? Ou, a Virtude contem em si o Poder? Ou, o Poder difere da Virtude?
Antes de qualquer coisa, de qualquer resposta, contextualizo este artigo ao tempo presente. A estes dias de Festas (Natal e Ano Novo), nos quais estamos vivenciando, de alguma maneira, essa sensação, e que, por isso mesmo, somos sensíveis a essa problemática, muito embora não nos damos conta que ela é latente em nós. Pois bem, 2006 foi um ano em que a Virtude e o Poder estiveram presentes com muita clareza. Fizeram partes de nossas vidas de tal forma que, acredito com substância, que todos – todos mesmo – fomos acometidos por algum tipo de mudança – seja interiormente ou exteriormente. Mudamos. Uns mais, outros menos. Mas mudamos. O Brasil mudou. O Legislativo mudou. O Executivo mudou. O Judiciário mudou. O demos mudou. A consciência de todas essas mudanças (não importa a quantidade ou a qualidade delas) sugere-nos, a todos, ter consciência como Sabedoria da Virtude e do Poder que há em cada sujeito imanente desse mesmo corpo.
Retomo aqui a questão central deste artigo: pode, a Virtude e o Poder, fazerem parte de um mesmo corpo orgânico? Serem uma e a mesma coisa? Ou, a Virtude é incompatível com o Poder? Ou, a Virtude contem em si o Poder? Ou, o Poder difere da Virtude?
Não quero agir como um sofista, ou seja, ser apenas um retórico. Em razão disso sugiro que tomemos esta questão e a realizemos interiormente em cada um de nós. Que saibamos descobrir conscientemente qual Virtude nos compete e nos compele para um mundo futuro onde a Ética seja a essência para todo o corpo. Para a “alma” e para o “corpo”: mente sã em corpo são.
Convocado pelo editor deste portal a escrever sobre estes tempos, em princípio, tinha a intenção de recusar a deferência. O motivo da pretensa escusa era estritamente pessoal. Pensava tomar estes dias para dar-me a possibilidade de vivenciar uma experiência monacal. Era minha idéia e intenção refletir sobre a arte da Virtude e do Poder. Mas esconder-me já não seria contradizer a “Arete”? Não seria contra-senso pensá-la só e solitariamente? Foi aí que me ocorreu repensar o convite e aceitá-lo prontamente. Se minha exteriorização reflexional se fará essente em terceiros é coisa de somenos importância... Pessoalmente acredito que compartilhar com alguém – um que seja! – é a travessia para uma nov
a realidade... para uma nova experiência de vida... para o atingimento de um novo saber! Portanto resta-me dizer, tal qual Júlio César, ao atravessar o rio Rubicão com suas tropas, contrariando a ordem do Senado romano, em 49 a.C.: “alea jacta est” (a sorte está lançada).Esta minha reflexão tem origem com os Sofistas. Estes pensavam (e assim agiam) que a Arete (virtude) podia ser ensinada para os jovens helênicos, aristocratas da burguesa Athenas, que se interessavam pelas questões do Estado. Aqueles jovens queriam aprender a virtude para exercerem o poder. Eis aqui o primeiro grande problema que me ocorre: pode, a Virtude e o Poder, fazerem parte de um mesmo corpo orgânico? Serem uma e a mesma coisa? Ou, a Virtude é incompatível com o Poder? Ou, a Virtude contem em si o Poder? Ou, o Poder difere da Virtude? Evidentemente que este problema sugere e pressupõe uma longa tese. Entretanto, neste artigo, não tenho a mínima intenção de assim proceder por razões óbvias: o tempo e o espaço, aqui, não permitem tal procedimento. Apesar disso, penso, o período atual favorece-me à reflexão.
Traçando um paralelo analogístico, ou seja, uma parecença, isto é, criando semelhanças de funções entre elementos dentro de suas respectivas totalidades, podemos, verificar por conclusão, que, os sofistas modernos são os nossos atuais marqueteiros políticos. E por quê traço essa analogia? Por quê aqueles (os sofistas) como estes (os marqueteiros) têm um fundamento em comum: ganhar dinheiro fácil com o seu ofício. A contestação da existência daqueles (os sofistas) não difere da contestação destes (os marqueteiros), ou seja, o método de educação não cria e nem favorece a Arete ou Virtude. Isto não significa dizer que, tanto na época da Sofística quanto na atual época dos marqueteiros políticos, o ofício, em si, não tenha algum tipo de valor. Tampouco se está dizendo aqui que o trabalho não deva ser remunerado. São conceitos que não cabem neste artigo. (Vê-se, pois, assim, que a origem do Marketing Político é mais antigo do que pressupõe a vã filosofia política da modernidade.)
O que tudo isso tem a ver com o problema criado lá atrás: pode, a Virtude e o Poder, fazerem parte de um mesmo corpo orgânico? Serem uma e a mesma coisa? Ou, a Virtude é incompatível com o Poder? Ou, a Virtude contem em si o Poder? Ou, o Poder difere da Virtude?
Antes de qualquer coisa, de qualquer resposta, contextualizo este artigo ao tempo presente. A estes dias de Festas (Natal e Ano Novo), nos quais estamos vivenciando, de alguma maneira, essa sensação, e que, por isso mesmo, somos sensíveis a essa problemática, muito embora não nos damos conta que ela é latente em nós. Pois bem, 2006 foi um ano em que a Virtude e o Poder estiveram presentes com muita clareza. Fizeram partes de nossas vidas de tal forma que, acredito com substância, que todos – todos mesmo – fomos acometidos por algum tipo de mudança – seja interiormente ou exteriormente. Mudamos. Uns mais, outros menos. Mas mudamos. O Brasil mudou. O Legislativo mudou. O Executivo mudou. O Judiciário mudou. O demos mudou. A consciência de todas essas mudanças (não importa a quantidade ou a qualidade delas) sugere-nos, a todos, ter consciência como Sabedoria da Virtude e do Poder que há em cada sujeito imanente desse mesmo corpo.
Retomo aqui a questão central deste artigo: pode, a Virtude e o Poder, fazerem parte de um mesmo corpo orgânico? Serem uma e a mesma coisa? Ou, a Virtude é incompatível com o Poder? Ou, a Virtude contem em si o Poder? Ou, o Poder difere da Virtude?
Não quero agir como um sofista, ou seja, ser apenas um retórico. Em razão disso sugiro que tomemos esta questão e a realizemos interiormente em cada um de nós. Que saibamos descobrir conscientemente qual Virtude nos compete e nos compele para um mundo futuro onde a Ética seja a essência para todo o corpo. Para a “alma” e para o “corpo”: mente sã em corpo são.
quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
FELIZ NATAL
Feliz natal...
Neste natal eu gostaria de
desinternar-me.
Dar-me alta.
Gostaria de ser entendido,
de ser ouvido a partir de mim mesmo,
jamais por intermédio da palavra do outro.
No verbo do outro-eu nunca sou eu falando.
Estou sempre representado na rouca voz do eu-outro: na ágora, na arena, no teatro.
Neste natal gostaria de elaborar o meu discurso, de escorregar minha palavra por todo o corpo,
extasiadamente,
até poder reencontrá-la na essencialidade do ser,
até cansar-me de jamais cansar a liberdade,
onde a prometáfase congumélica
não desintegre vidas, mas
exploda de encontros desordenados e complexos,
babélico,
simétricos e assimétricos,
mas livre da inclusão que exclui
no discurso do eu-outro-eu-nós-eu.
Feliz natal!
Neste natal eu gostaria de
desinternar-me.
Dar-me alta.
Gostaria de ser entendido,
de ser ouvido a partir de mim mesmo,
jamais por intermédio da palavra do outro.
No verbo do outro-eu nunca sou eu falando.
Estou sempre representado na rouca voz do eu-outro: na ágora, na arena, no teatro.
Neste natal gostaria de elaborar o meu discurso, de escorregar minha palavra por todo o corpo,
extasiadamente,
até poder reencontrá-la na essencialidade do ser,
até cansar-me de jamais cansar a liberdade,
onde a prometáfase congumélica
não desintegre vidas, mas
exploda de encontros desordenados e complexos,
babélico,
simétricos e assimétricos,
mas livre da inclusão que exclui
no discurso do eu-outro-eu-nós-eu.
Feliz natal!
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
DÚVIDA
João Batista Lago
O que faço
neste espaço?
Solitário e só
planto-me
em campos
de alienação
já sem-esperança
de ser-me a mim
tão-somente em mim.
Se puro nascido
logo alienado
fui produzido
no úbere da mater,
da santa família,
da educação,
da religião.
Alienado eu sou – então –
desde o primeiro chão
no suor da labuta;
e assim - desde sempre -
em confusa luta,
tateio (vida-ermo) feito
solitário errante-enfermo.
[...]
O que faço
neste espaço?
A Terra, meu cangaço...
O Humano, meu assassino...
A Palavra, minha hipótese...
Deus, meu condomínio...
O que façoneste espaço?!
[...]
O que faço
neste espaço?
Solitário e só
planto-me
em campos
de alienação
já sem-esperança
de ser-me a mim
tão-somente em mim.
Se puro nascido
logo alienado
fui produzido
no úbere da mater,
da santa família,
da educação,
da religião.
Alienado eu sou – então –
desde o primeiro chão
no suor da labuta;
e assim - desde sempre -
em confusa luta,
tateio (vida-ermo) feito
solitário errante-enfermo.
[...]
O que faço
neste espaço?
A Terra, meu cangaço...
O Humano, meu assassino...
A Palavra, minha hipótese...
Deus, meu condomínio...
O que façoneste espaço?!
[...]
quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
...Lá das Minas Gerais
"Encaminhar ao poeta João Batista:
Regina Maranhão Caldas escreveu:
Atualmente, mais para se ver e descobrir, do que para se comprar e se ler nas bancas e livrarias. Nas bibliotecas, nem pensar. Vê lá se biblioteca, seja de Universidade ou de escolas de ensino médio - é lugar para livros de poetas vivos. Desses que andam e falam pelas ruas da cidade. Que bebem cerveja e outros ingredientes mais fortes. Que perambulam pelos becos, pelas favelas, pelos corredores da universidade, atentos à crise da Argentina, à crise da política brasileira, ao movimento sucessório nacional. O certo é que os poetas nada faturam. Uma noite de glória no cada vez mais reduzidíssimo círculo de amigos e iniciados. Uma nota nos jornais mais lidos da capital. Algumas notas suplementares.Talvez. alguns e-mails . E precisa mais? O que poderia um poeta desejar além disso. Ser reconhecido pela como benfeitor da sociedade? Ser aplaudido como um atleta? Ser admirado como uma top-model? Ser famoso como um traficante? Espaço nas faculdades de Letras? Isto já é querer demais. Professores e alunos, de todos os níveis e idades, estão preocupados mesmo é com os poetas mortos – morto para eles intelectuais ingratos – devoradores de signos, dissecadores de cadáveres.Por mim, sinto-me bem onde estou. Dentro e/ou fora das antologias. Desta ou daquela. Longe dos grupos, das gretas, dos guetos, das guerras, das grutas minerais. Se estou, não reclamo. Faço tudo, desde que comecei a literaturar desaforos, por volta dos 12 e 14 anos de idade. Lida diária. Se mereço, não sou eu que devo dizer.No mínimo, o editor. É por isto que prefiro ficar quieto. Saborear poemas em silêncio de quase vertigem como quem mastiga pedras, saboreia frutas silvestres. Doce de leite ou cachaça. Prefiro adivinhar, desde de antes dos gregos, o sem sentido do mundo. Procurar. Reviver, de perto, pássaros e pessoas, antidiluvianos. Ficar onde nunca estou. Entre anônimo e anômalo, desfrutar o tempo, como queria Drummond, tal qual se oferece. Viver o desfuturo, o lado excuso do poema. Do planeta. Sua escassa solidez. De passagem. E porque não? Afinal, em país que pouco se lê - e leitura é passar os olhos sobre - e menos ainda se quer ver, a vinda à luz de um livro de poemas é realmente coisa para se festejar. Ainda que seja uma antologia, uma babel, labirinto de espelhos e espantalhos. Literatura à parte, vale mais a vida, a busca de leitores livres para a grande aventura de escalar, perder-se em letras e ruas de palavras a cidade branca, à espera da poesia, o não lugar dos poetas, as antologias.
Jornalista, poeta e coordenador do curso de jornalismo da Puc-Minasem Arcos, Minas Gerais.
Regina Maranhão Caldas escreveu:
Atualmente, mais para se ver e descobrir, do que para se comprar e se ler nas bancas e livrarias. Nas bibliotecas, nem pensar. Vê lá se biblioteca, seja de Universidade ou de escolas de ensino médio - é lugar para livros de poetas vivos. Desses que andam e falam pelas ruas da cidade. Que bebem cerveja e outros ingredientes mais fortes. Que perambulam pelos becos, pelas favelas, pelos corredores da universidade, atentos à crise da Argentina, à crise da política brasileira, ao movimento sucessório nacional. O certo é que os poetas nada faturam. Uma noite de glória no cada vez mais reduzidíssimo círculo de amigos e iniciados. Uma nota nos jornais mais lidos da capital. Algumas notas suplementares.Talvez. alguns e-mails . E precisa mais? O que poderia um poeta desejar além disso. Ser reconhecido pela como benfeitor da sociedade? Ser aplaudido como um atleta? Ser admirado como uma top-model? Ser famoso como um traficante? Espaço nas faculdades de Letras? Isto já é querer demais. Professores e alunos, de todos os níveis e idades, estão preocupados mesmo é com os poetas mortos – morto para eles intelectuais ingratos – devoradores de signos, dissecadores de cadáveres.Por mim, sinto-me bem onde estou. Dentro e/ou fora das antologias. Desta ou daquela. Longe dos grupos, das gretas, dos guetos, das guerras, das grutas minerais. Se estou, não reclamo. Faço tudo, desde que comecei a literaturar desaforos, por volta dos 12 e 14 anos de idade. Lida diária. Se mereço, não sou eu que devo dizer.No mínimo, o editor. É por isto que prefiro ficar quieto. Saborear poemas em silêncio de quase vertigem como quem mastiga pedras, saboreia frutas silvestres. Doce de leite ou cachaça. Prefiro adivinhar, desde de antes dos gregos, o sem sentido do mundo. Procurar. Reviver, de perto, pássaros e pessoas, antidiluvianos. Ficar onde nunca estou. Entre anônimo e anômalo, desfrutar o tempo, como queria Drummond, tal qual se oferece. Viver o desfuturo, o lado excuso do poema. Do planeta. Sua escassa solidez. De passagem. E porque não? Afinal, em país que pouco se lê - e leitura é passar os olhos sobre - e menos ainda se quer ver, a vinda à luz de um livro de poemas é realmente coisa para se festejar. Ainda que seja uma antologia, uma babel, labirinto de espelhos e espantalhos. Literatura à parte, vale mais a vida, a busca de leitores livres para a grande aventura de escalar, perder-se em letras e ruas de palavras a cidade branca, à espera da poesia, o não lugar dos poetas, as antologias.
Jornalista, poeta e coordenador do curso de jornalismo da Puc-Minasem Arcos, Minas Gerais.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
Nada existe de mais significativo para um poeta, para um escritor, para um artista, saber que sua obra repercutiu em algum lutar - qualquer que o seja -, que atingiu a alma de uma outra pessoa, de um outro poeta, que transcendeu ao seu espaço específico, enfim... que atemporalizou-se e materializou-se na etrnidade do universo.
Estas palavras foram motivadas pela querida Menina Marota (Otília Martel), de Portugal, que em verdadeiro "cio poético" deu à luz dos nossos olhos, pensamentos e sentimentos, um poema onde a marca da sua alma é imanente.
"...Aos poucos vai morrendo a cada desafio
Sem saber se é mulher ou apenas calafrio
Numa noite de primavera
Onde não faz calor nem frio..."
(João Batista do Lago)
ou nas minhas palavras...
(João Batista do Lago (Brasil e Otília Martel (Portugal)
Fonte: www.mhariolincoln.jor.br
É noite... nada vibra...nada fala...
Tudo mergulha num sonho vago e mudo.
E a solidão desprende-se de tudo
Qual bálsamo subtil que a noite exala.
Silêncio... estou sozinha... eu me desnudo
Manifestando a dor, sem disfarçá-la.
E por adormecê-la e suavizá-la,
A noite envolve a terra, qual veludo!
Eu não quero quebrar esta magia!
Silêncio...a noite morre...é quase dia.
E eu não sei quem sou, nem onde vou.
Nada murmura...nada...tudo dorme.
A noite é para mim deserto enorme,
Aonde meu destino me atirou!
(Otília Martel [Menina Marota] - Portugal)
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
O CIO
Por João Batista do Lago
A madrugada é primaveril
Lá fora não há calor nem frio
Da janela do meu quarto
Olho uns quintais com suas casas
Num dos quintais uma cadela no cio
Do outro lado da cerca de arame
Um cão tortura-se em amantes latidos
A cadela assanha-o ainda mais
Encosta o sexo na cerca e permite-lhe a lambida
O cão ensandecido de desejo rodopia de alegria
Corre de um lado para o outro em desarmonia
Tenta escalar a cerca de arame em agonia
Tudo em vão
Resta-lhe a condenação de ser apenas cão
(no meu quarto ouço uma serenata: Brahms)
A madrugada é primaveril
Lá fora não há calor nem frio
Da janela do meu quarto
Olho uns quintais com suas casas
Num dos quintais uma cadela no cio
Do outro lado da cerca de arame
Um cão tortura-se em amantes latidos
A cadela assanha-o ainda mais
Encosta o sexo na cerca e permite-lhe a lambida
O cão ensandecido de desejo rodopia de alegria
Corre de um lado para o outro em desarmonia
Tenta escalar a cerca de arame em agonia
Tudo em vão
Resta-lhe a condenação de ser apenas cão
(no meu quarto ouço uma serenata: Brahms)
Da janela do meu quarto
Interiorizo-me na alcova dos casais
Quantas mulheres com o sexo em brasa
Recostam em cada marido distante
Ressuam o corpo como perfume exalante
Da flor-dos-amores em cio suplicante de carícias e beijos
Nenhuma cerca as separa de seus amantes
Apenas o ronco estridente e o ranger de dentes
Daqueles que outrora foram grandes amantes
E o cio assim dessas donzelas em cio
Aos poucos vai morrendo a cada desafio
Sem saber se é mulher ou apenas calafrio
Numa noite de primavera
Onde não faz calor nem frio
(no meu quarto a serenata de Brahms finda)
Interiorizo-me na alcova dos casais
Quantas mulheres com o sexo em brasa
Recostam em cada marido distante
Ressuam o corpo como perfume exalante
Da flor-dos-amores em cio suplicante de carícias e beijos
Nenhuma cerca as separa de seus amantes
Apenas o ronco estridente e o ranger de dentes
Daqueles que outrora foram grandes amantes
E o cio assim dessas donzelas em cio
Aos poucos vai morrendo a cada desafio
Sem saber se é mulher ou apenas calafrio
Numa noite de primavera
Onde não faz calor nem frio
(no meu quarto a serenata de Brahms finda)
domingo, 10 de dezembro de 2006
O ENTERRO DE NIETZSCHE

João Batista do Lago
(Ficção)
(Ficção)
Esta é uma revelação que guardei por muitos anos, e que dou, aqui e agora, a conhecer a todo mundo – quem o quiser saber. Não lhes peço credibilidade quaisquer, pois credibilidade não se constrói. Ela é um dos enigmas da filosofia pura: não está antes e nem depois. Ela só existe no aqui e agora. Mas, se chegastes até aqui – aviso-te: ainda tens tempo suficiente para usar da tua autonomia e abandonar-me, a mim e a este relato, antes que te o seja caro, que te o envolvas definitivamente na sua trama – é porque desejas saber realmente como aconteceu o enterro de Nietzsche.
Antes de tudo devo matar essa tua curiosidade. Naturalmente desejas saber quem sou. Não quero deixar a impressão de um ser grosseiro, mal educado, irreverente, prepotente, ou qualquer outro adjetivo que, porventura, me queiras administrar. Mas há de convir comigo: não estou aqui para dar conta de minha vida. Ela tem muito pouco interesse para ti. Ela não representa o que estás a pensar neste exato instante: “Ecce homo deve ser mais louco que o próprio Nietzsche”. Não é isso que pensas neste momento? Sinceramente, para mim pouco se me dá o teu pensamento... Ele é só um pensamento (há muitos outros pensamentos não seguidos, por exemplo, e por isso mesmo adormecidos). E posso inclusive dizer-te que ele não é real – é pura e tão-somente uma representação do real no campo da irrealidade presente em tua memória inestética. Concordas comigo? Ou não? Se não concordas, por quê então acreditas que Nietsche inferiu que Deus está morto? Acreditas que Deus está morto? Mas, se concordas comigo, então, quem está morto és tu. Concordas? Assim sendo tu não existes. Tu não és real. Correto? Bem te avisei: já não mais tens o direito de deixar de me acompanhar neste relato, pois dele tu serás discípulo e apóstolo – já te enfiastes até o pescoço, faltando, apenas, dar-me a tua cabeça para pensá-la comigo. Ou então serás, apenas, túmulo e morte. Concordas? Duvidas? Mas com o que exatamente concordas? E do que estás a discordar? [...] Ah, estás pensando no Deus que Nietzsche disse está morto... “Quem matou Deus?” – É este o teu pensamento agora? Para resolver esta tua curiosidade tu precisas, primeiramente, resolver a questão anterior à morte de Deus. Proponho-te a seguir que te faças uma pergunta: quando Deus nasceu? De quem ele nasceu? Onde Deus nasceu? Não vale responder com dogmatismos religiosos. Isso é senso comum. E o senso comum é o não-pensamento. Esta resposta merece o teu pensamento, portanto, pergunto-te: o que pensas aqui e agora? Veja bem: aqui e agora, neste instante... O que pensas? [...] Pronto, dei-te a ti e ao teu pensamento os tempos necessários. Digo-te, agora, o seguinte: toma-a (a resposta) e guarda-a bem dentro do teu pensamento. Mas antes precisas responder se o pensamento existe, como te propus lá atrás... Nunca esqueças disso. Uma coisa tem a ver com a outra. Todas se interpenetram. Ah, mais uma coisa: foge imediatamente dessa tua dualidade. A dualidade é uma falsa representação da realidade. A dualidade não é Realismo. Pensar pela ótica da dualidade implica reduzir a vida simplesmente à causa e efeito. E a vida não é só isso: causa “versus” efeito. Ou é? Mas, se não é, então, o que é a vida? E se ela é, então, o que ela é? O que diz o teu pensamento a este respeito? Dá-me, a mim, aqui e agora, o teu pensamento para junto pensarmos. Pensemos: se a vida não é, o Homem não é. Deus não é. O Ser não É... Mas a vida sendo o homem não é, Deus não é, e o Ser não É. Assim não sendo tudo é representação. Concordas? Não concordas? Então toma este poema e pensa-o:
Descaminho
Há uma pedra no caminho;
no caminho há um homem.
Há um homem no caminho;
no caminho há uma pedra.
Há um caminho sem uma pedra;
no caminho não há um homem.
Há um caminho sem um homem;
no caminho não há uma pedra.
Há uma pedra livre porque o caminho está livre do homem.
Há um homem livre porque o caminho está livre da pedra.
Há um caminho livre porque o caminho está sem uma pedra.
Há um caminho livre porque o caminho está sem um homem.
[...]
Há um caminho livre por quê não há nem homem, nem pedra!
E agora, que me dizes tu? Qual caminho tu tomará como teu? O caminho livre do homem? O caminho livre da pedra? Ou o caminho (simplesmente) livre – sem nem um homem, sem nem uma pedra? Mas a todas estas questões quero inserir mais uma: - Qual caminho tomou Nietzsche quando inferiu a morte de Deus? Qual a realidade de Deus, em que Realismo Deus existe? Ou Deus é só Romantismo? E mais uma pergunta: - Por quê inferir apenas a morte de Deus? E o Diabo?... Existe? Continua vivo? Ou também foi morto? Por quem? E se ambos existem – ou existiram –, quais caminhos tomaram como seus? Vê o que nos diz o poeta:
A Maçã do Éden
o cadáver da vida
floresceu entre os parreirais
o diabo lho fizera prece
deus e o diabo beberam
do mesmo vinho dionisíaco
hoje apolínicos em suas dimensões
ambos reclamam Adão e Eva
E aí, que me respondes tu, diante dessa celeuma que deblatera dentro do teu espírito? Êpa... mas que é isto, o Espírito? De que matéria constitui-se o Espírito? Quem te deu esse espírito? Se o tens, o que és então: matéria ou espírito? E se te condensas nos dois, quem é o desencadeador da Razão? E a Razão o que é senão a realidade da matéria? Se a Razão é, pois, a realidade da matéria, o espírito não tem razão de Ser? Concordas? [...] Ah, resolvestes dar o ar da graça... Discordas do meu pensamento. Então discutamos o teu pensamento. Presumes que o Espírito é Deus. Correto? Pois bem... Se o espírito é Deus, tu és Deus. Concordas? Ah, não concordas! Neste caso nem tu, nem Deus, existem. Concordas comigo que tu não É, assim como Deus não É? Discordas. “Deus é o Princípio e o Fim” – dizes-me tu. Consideras um Fim em Deus, então, dás razão a Nietzsche... – “Deus está morto”. Neste caso, assim como Nietzsche, tu aceitas como Verdade a preexistência de Deus... Correto? Ah, Deus está fora de si? Onde? [...] Bem sei estás cansado e eu também, contudo, vejamos até onde chegamos: à Verdade. Tomas o meu pensamento por Verdade? Se assim o consideras, elejo-te, então, meu discípulo e apóstolo. Se não me tomas por verdadeiro, então qual é a tua verdade? Qual caminho tu seguirás após nossa conversa? Qual pensamento será o teu desencadeador de agora por diante? Terás um pensamento próprio, ou continuarás refém de outros pensamentos?
[...]
Ah, ia me esquecendo: no dia do enterro de Nietzsche postei-me ao lado esquerdo do caixão. Era madrugada. Entre 2 e 3 horas. Somente eu estava ao lado do caixão. Ele olhou-me. Sorriu faceirosamente. Com um estupendo gozo eterno e me confidenciou:
- Vocês são todos loucos, mas dou-te, somente a ti, meu caro Atsitabj Ogal, este meu testamento: não fui eu quem matou Deus... (cochichando) ...nem sei se Deus morreu... (piscou o olho para mim e acenando com a cabeça pediu que eu chegasse mais perto) ...foi a humanidade... o homem... o humano... foram as religiões que mataram Deus. Ah, quanto ao Diabo, nem se preocupem, ele não fará tanto mal assim como pregam por aí... Será que me compreenderam? Dionísio contra o crucificado? (depois desta frase desfaleceu).
[...]
Depois do enterro, no dia seguinte, Lou Salomé, que tomava café ao meu lado, confidenciou:
- Nietzsche queria ser Deus...
Antes de tudo devo matar essa tua curiosidade. Naturalmente desejas saber quem sou. Não quero deixar a impressão de um ser grosseiro, mal educado, irreverente, prepotente, ou qualquer outro adjetivo que, porventura, me queiras administrar. Mas há de convir comigo: não estou aqui para dar conta de minha vida. Ela tem muito pouco interesse para ti. Ela não representa o que estás a pensar neste exato instante: “Ecce homo deve ser mais louco que o próprio Nietzsche”. Não é isso que pensas neste momento? Sinceramente, para mim pouco se me dá o teu pensamento... Ele é só um pensamento (há muitos outros pensamentos não seguidos, por exemplo, e por isso mesmo adormecidos). E posso inclusive dizer-te que ele não é real – é pura e tão-somente uma representação do real no campo da irrealidade presente em tua memória inestética. Concordas comigo? Ou não? Se não concordas, por quê então acreditas que Nietsche inferiu que Deus está morto? Acreditas que Deus está morto? Mas, se concordas comigo, então, quem está morto és tu. Concordas? Assim sendo tu não existes. Tu não és real. Correto? Bem te avisei: já não mais tens o direito de deixar de me acompanhar neste relato, pois dele tu serás discípulo e apóstolo – já te enfiastes até o pescoço, faltando, apenas, dar-me a tua cabeça para pensá-la comigo. Ou então serás, apenas, túmulo e morte. Concordas? Duvidas? Mas com o que exatamente concordas? E do que estás a discordar? [...] Ah, estás pensando no Deus que Nietzsche disse está morto... “Quem matou Deus?” – É este o teu pensamento agora? Para resolver esta tua curiosidade tu precisas, primeiramente, resolver a questão anterior à morte de Deus. Proponho-te a seguir que te faças uma pergunta: quando Deus nasceu? De quem ele nasceu? Onde Deus nasceu? Não vale responder com dogmatismos religiosos. Isso é senso comum. E o senso comum é o não-pensamento. Esta resposta merece o teu pensamento, portanto, pergunto-te: o que pensas aqui e agora? Veja bem: aqui e agora, neste instante... O que pensas? [...] Pronto, dei-te a ti e ao teu pensamento os tempos necessários. Digo-te, agora, o seguinte: toma-a (a resposta) e guarda-a bem dentro do teu pensamento. Mas antes precisas responder se o pensamento existe, como te propus lá atrás... Nunca esqueças disso. Uma coisa tem a ver com a outra. Todas se interpenetram. Ah, mais uma coisa: foge imediatamente dessa tua dualidade. A dualidade é uma falsa representação da realidade. A dualidade não é Realismo. Pensar pela ótica da dualidade implica reduzir a vida simplesmente à causa e efeito. E a vida não é só isso: causa “versus” efeito. Ou é? Mas, se não é, então, o que é a vida? E se ela é, então, o que ela é? O que diz o teu pensamento a este respeito? Dá-me, a mim, aqui e agora, o teu pensamento para junto pensarmos. Pensemos: se a vida não é, o Homem não é. Deus não é. O Ser não É... Mas a vida sendo o homem não é, Deus não é, e o Ser não É. Assim não sendo tudo é representação. Concordas? Não concordas? Então toma este poema e pensa-o:
Descaminho
Há uma pedra no caminho;
no caminho há um homem.
Há um homem no caminho;
no caminho há uma pedra.
Há um caminho sem uma pedra;
no caminho não há um homem.
Há um caminho sem um homem;
no caminho não há uma pedra.
Há uma pedra livre porque o caminho está livre do homem.
Há um homem livre porque o caminho está livre da pedra.
Há um caminho livre porque o caminho está sem uma pedra.
Há um caminho livre porque o caminho está sem um homem.
[...]
Há um caminho livre por quê não há nem homem, nem pedra!
E agora, que me dizes tu? Qual caminho tu tomará como teu? O caminho livre do homem? O caminho livre da pedra? Ou o caminho (simplesmente) livre – sem nem um homem, sem nem uma pedra? Mas a todas estas questões quero inserir mais uma: - Qual caminho tomou Nietzsche quando inferiu a morte de Deus? Qual a realidade de Deus, em que Realismo Deus existe? Ou Deus é só Romantismo? E mais uma pergunta: - Por quê inferir apenas a morte de Deus? E o Diabo?... Existe? Continua vivo? Ou também foi morto? Por quem? E se ambos existem – ou existiram –, quais caminhos tomaram como seus? Vê o que nos diz o poeta:
A Maçã do Éden
o cadáver da vida
floresceu entre os parreirais
o diabo lho fizera prece
deus e o diabo beberam
do mesmo vinho dionisíaco
hoje apolínicos em suas dimensões
ambos reclamam Adão e Eva
E aí, que me respondes tu, diante dessa celeuma que deblatera dentro do teu espírito? Êpa... mas que é isto, o Espírito? De que matéria constitui-se o Espírito? Quem te deu esse espírito? Se o tens, o que és então: matéria ou espírito? E se te condensas nos dois, quem é o desencadeador da Razão? E a Razão o que é senão a realidade da matéria? Se a Razão é, pois, a realidade da matéria, o espírito não tem razão de Ser? Concordas? [...] Ah, resolvestes dar o ar da graça... Discordas do meu pensamento. Então discutamos o teu pensamento. Presumes que o Espírito é Deus. Correto? Pois bem... Se o espírito é Deus, tu és Deus. Concordas? Ah, não concordas! Neste caso nem tu, nem Deus, existem. Concordas comigo que tu não É, assim como Deus não É? Discordas. “Deus é o Princípio e o Fim” – dizes-me tu. Consideras um Fim em Deus, então, dás razão a Nietzsche... – “Deus está morto”. Neste caso, assim como Nietzsche, tu aceitas como Verdade a preexistência de Deus... Correto? Ah, Deus está fora de si? Onde? [...] Bem sei estás cansado e eu também, contudo, vejamos até onde chegamos: à Verdade. Tomas o meu pensamento por Verdade? Se assim o consideras, elejo-te, então, meu discípulo e apóstolo. Se não me tomas por verdadeiro, então qual é a tua verdade? Qual caminho tu seguirás após nossa conversa? Qual pensamento será o teu desencadeador de agora por diante? Terás um pensamento próprio, ou continuarás refém de outros pensamentos?
[...]
Ah, ia me esquecendo: no dia do enterro de Nietzsche postei-me ao lado esquerdo do caixão. Era madrugada. Entre 2 e 3 horas. Somente eu estava ao lado do caixão. Ele olhou-me. Sorriu faceirosamente. Com um estupendo gozo eterno e me confidenciou:
- Vocês são todos loucos, mas dou-te, somente a ti, meu caro Atsitabj Ogal, este meu testamento: não fui eu quem matou Deus... (cochichando) ...nem sei se Deus morreu... (piscou o olho para mim e acenando com a cabeça pediu que eu chegasse mais perto) ...foi a humanidade... o homem... o humano... foram as religiões que mataram Deus. Ah, quanto ao Diabo, nem se preocupem, ele não fará tanto mal assim como pregam por aí... Será que me compreenderam? Dionísio contra o crucificado? (depois desta frase desfaleceu).
[...]
Depois do enterro, no dia seguinte, Lou Salomé, que tomava café ao meu lado, confidenciou:
- Nietzsche queria ser Deus...
ALGUMA POESIA
Alienação
Por João Batista Lago
O que faço
neste espaço?
Solitário e só
planto-me
em campos
de alienação
já sem-esperança
de ser-me a mim
tão-somente em mim.
Se puro nascido
logo alienado
fui produzido
no úbere da mater,
da santa família,
da educação,
da religião.
Alienado eu sou – então –
desde o primeiro chão
no suor da labuta;
e assim - desde sempre -
em confusa luta,
tateio (vida-ermo) feito
solitário errante-enfermo.
[...]
O que faço
neste espaço?
A Terra, meu cangaço...
O Humano, meu assassino...
A Palavra, minha hipótese...
Deus, meu condomínio...
O que faço
neste espaço?!
[...]
====================
Contradições
Por João Batista do Lago
Quem tu és?
Perguntaram-me certos dias.
Nunca imaginei
A questão assim
Tão saliente
Antes, porém
Pensei na Filosofia
Aquilo parecia alegoria
Quem sou?!
- Sou abstrato
- Sou concreto
Quando verdade
Sou mentira
Na realidade
Se me penso livre
Estou preso na cidade
Onde não há liberdade
Acredito-me crente
- ah, esse tolo inocente
é apenas um ser carente
Sou um socialista...
Anticapitalista eu sou.
Síntese: um mero sofista
Sou o todo
Também parte sou
Resultado: sou único
Sou o ator
Sou o teatro
Sou tragédia e dor
Sou o vernáculo
Na inação da nação
Sou sem-linguagem
Sou o sim
Assim o não eu sou
Da certeza a incerteza
Do inicio sou o fim
Da explosão sou a poeira
Recluso da terra-lixeira
Quando sou noite
Do outro lado estou dia
Antiduplo em sodomia
Assim eu sou
O perto e o longe
O diabo e o monge
Do amor sou o ódio
Do verso a não-palavra
Apenas rima sem lavra
Assim sou eu
Se crente sou ateu
Do humano o pigmeu
================
Estética
Por João Batista do Lago
Não sou, sob hipótese qualquer
- como pretendes fazer crer -,
engenheiro de pedras-mortas;
sou arquiteto da Palavra em água.
Não sou, sob hipótese qualquer
- como pretendes fazer crer -,
engenheiro de formas tortas;
sou arquiteto da Virtude da água.
Não sou, sob hipótese qualquer
- como pretendes fazer crer -,
o engenheiro de paredes em desalinho;
sou arquiteto do Belo que se há no mar.
[...]
Sou engenheiro da Palavra,
Arquiteto da Virtude e do Belo.
=====================
Eunomia
Por João Batista do Lago
Não sou filho,
Apenas - e só,
da Idiotia.
Mas sou filho,
Apenas – tão só,
da Política:
na transcendência
sou imanência;
do divino
sou o profano;
da exterioridade
sou a subjetividade;
da phisys
sou o espírito;
no sensível
sou res extensa
no inteligível
sou res cogitans
..............
Sim, sou filho
Apenas – e só:
da Metafísica,
da Matemática,
da Ilusão e
assim sou Razão.
..............
Sou Zeus.
Sou Mito.
Sou Deus.
..............
Sou tríade: Idéia Absoluta.
Por João Batista Lago
O que faço
neste espaço?
Solitário e só
planto-me
em campos
de alienação
já sem-esperança
de ser-me a mim
tão-somente em mim.
Se puro nascido
logo alienado
fui produzido
no úbere da mater,
da santa família,
da educação,
da religião.
Alienado eu sou – então –
desde o primeiro chão
no suor da labuta;
e assim - desde sempre -
em confusa luta,
tateio (vida-ermo) feito
solitário errante-enfermo.
[...]
O que faço
neste espaço?
A Terra, meu cangaço...
O Humano, meu assassino...
A Palavra, minha hipótese...
Deus, meu condomínio...
O que faço
neste espaço?!
[...]
====================
Contradições
Por João Batista do Lago
Quem tu és?
Perguntaram-me certos dias.
Nunca imaginei
A questão assim
Tão saliente
Antes, porém
Pensei na Filosofia
Aquilo parecia alegoria
Quem sou?!
- Sou abstrato
- Sou concreto
Quando verdade
Sou mentira
Na realidade
Se me penso livre
Estou preso na cidade
Onde não há liberdade
Acredito-me crente
- ah, esse tolo inocente
é apenas um ser carente
Sou um socialista...
Anticapitalista eu sou.
Síntese: um mero sofista
Sou o todo
Também parte sou
Resultado: sou único
Sou o ator
Sou o teatro
Sou tragédia e dor
Sou o vernáculo
Na inação da nação
Sou sem-linguagem
Sou o sim
Assim o não eu sou
Da certeza a incerteza
Do inicio sou o fim
Da explosão sou a poeira
Recluso da terra-lixeira
Quando sou noite
Do outro lado estou dia
Antiduplo em sodomia
Assim eu sou
O perto e o longe
O diabo e o monge
Do amor sou o ódio
Do verso a não-palavra
Apenas rima sem lavra
Assim sou eu
Se crente sou ateu
Do humano o pigmeu
================
Estética
Por João Batista do Lago
Não sou, sob hipótese qualquer
- como pretendes fazer crer -,
engenheiro de pedras-mortas;
sou arquiteto da Palavra em água.
Não sou, sob hipótese qualquer
- como pretendes fazer crer -,
engenheiro de formas tortas;
sou arquiteto da Virtude da água.
Não sou, sob hipótese qualquer
- como pretendes fazer crer -,
o engenheiro de paredes em desalinho;
sou arquiteto do Belo que se há no mar.
[...]
Sou engenheiro da Palavra,
Arquiteto da Virtude e do Belo.
=====================
Eunomia
Por João Batista do Lago
Não sou filho,
Apenas - e só,
da Idiotia.
Mas sou filho,
Apenas – tão só,
da Política:
na transcendência
sou imanência;
do divino
sou o profano;
da exterioridade
sou a subjetividade;
da phisys
sou o espírito;
no sensível
sou res extensa
no inteligível
sou res cogitans
..............
Sim, sou filho
Apenas – e só:
da Metafísica,
da Matemática,
da Ilusão e
assim sou Razão.
..............
Sou Zeus.
Sou Mito.
Sou Deus.
..............
Sou tríade: Idéia Absoluta.
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