quarta-feira, 14 de novembro de 2007
LAMENTO
© by João Batista do Lago
Ó velhos porões de almas!
Ciganos errantes. Ledos.
Aluviões de antigos medos
que singram os mares com
seus degredos de sorte vil,
ilusões paridas d’um só covil.
Ó velhas embarcações de ossos!
Teus degredos… Teus medos
são fraturas expostas dos teus
crimes de lesa alma, que pungem
toda dor da miserável sorte de
ser, apenas, o ser da morte.
Ó velhas cangalhas de carne!
Tua pena é a cena do afastamento
da divinal condição do ser e
neste teu enclausuramento és,
enfim, todo triste lamento, do
humano que pretendera Ser.
terça-feira, 13 de novembro de 2007
ORFANDADE
© by João Batista do Lago
O odor do enxofre dos ventres
Rasgados por obstetras da alma,
Não consegue perfumar o ser.
Ele perdeu-se na miséria
De ser parido de deuses;
Hoje órfão deseja renascer.
- Não há mais obstetras de almas!
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
CONTRA-CANALHAS!
© by João Batista do Lago
Quanto tempo ainda restará
Para conviver com os canalhas?
Vive-se um tempo de batalha: a
Virtude é pura moeda rara!
Perdeu-se a vergonha da cara;
Falta coragem de usar a navalha.
Ó, República da vagabundalha,
República de miserável sorte,
Rasgaram-te as vestes da Ética (e)
Curvaram-te ante essa estética
Sangram-te, ó mãe, os canalhas!
Arrancar-te o Direito do peito é
Tudo que deseja a vagabundalha:
Nação inerte; prostrada ao leito.
Sangram-te, ó mãe, os canalhas!
Mas haverá dia que todo malfeito
Restará findo… restará morto…
A nação cativa se levantará do jugo
Então aí – o povo –, plebe ignara,
Tomará as rédeas do desatino e
Fará da nação cativa seu destino:
República de Virtude, Ética e Direito.
domingo, 11 de novembro de 2007
DESEJOS
© by João Batista do Lago
Dispensai os vossos choros, eles
Maculam a madeira que me serve de
Leito e que mo levará para a santa terra
Onde me plantará pau-d’arco roxo ou como
Cedro para servir ao bom lenhadeiro da mais
Fértil vida que se instalará no instante do futuro
Dispensai vossos elogios tardios, eles
Ofendem à dignidade do ser que deseja
Adormecer sem as torpes palavras que
Lavram bocas enferrujadas de dentes doentes e
Preparados para comer a carne do escárnio:
Manjar de vermes que se me pensam morto
Dispensai a procissão ao campo santo, ela se
Tornará pedra na liberdade do meu caminho
Deixai-me as veredas livres; deixai-me sem religião
Preciso – se Deus há – encontrá-Lo sozinho
Buscá-Lo agora nesta minha sagrada morte
Vivê-Lo minh’eternidade; sê-Lo minha liberdade
PRIMAVERIS
PRIMAVERIS
(Para Themis)
© by João Batista do Lago
Tuas coxas de primavera
Primaveris!
Secretos segredos guardam
Da flor do sexo
Sequioso de
Embeber-te da
Mais pura e límpida água que
Brota como sumos da terra (da)
Mais pura terra que de mim há
Carregas em ti o
Centro da vida da primavera
Primaveris!
Almas que se segredam em
Secretos exalares da
Flor mais pura de cheiro mais túmido
Essência que se me preparas na
Alcova do teu corpo
Sacrário exótico da (minha) eterna paixão
sábado, 10 de novembro de 2007
POUIÇÃO
POLUIÇÃO
© by João Batista do Lago
As ventas de Deus
de tanto entupidas
já não respiram vidas!
E de tanta fumaça
já não mais há graça
no paraíso, que
perdeu o sorriso das
flores e das rosas;
e que aos poucos
cauteriza o
ventre da terra…
[…]
Estão entupidas
as ventas de Deus
pelo vírus do
consumo humano
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
INSIGHT
© by João Batista do Lago
Trabalhe o homem sua loucura
Entregue à sua bravura do
Enternecer-se na violência candura
De miseráveis vidas.
Distantes da vida,
Sufocados pelo silencio do
Nada ser diante de si;
Encontro de eus sem o ser.
Ser que é nada,
Quando divaga sua loucura
Na ternura do seu ser!
Ser que de mim o é
Apenas violência candura da
Eterna magia de toda loucura!
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
FOTOGRAFIA
© by João Batista do Lago
Neste ensaio imagético
vejo-te inclusa
neste meu solitário cósmico
deste meu campo excluso.
No meu laboratório de visões
busco toda tua presença.
Nela não me há...
Há um branco total.
Nenhuma imagem.
O filme está queimado.
A burguesa igualdade não me deixa amar-te em toda a tua ebanidade.
E mesmo na cidade dos meus sonhos, na loucura das minhas noites,
és escondida em prostíbulos onde o amor se dá como propriedade
num modo de produção modernista incapaz de se permitir os
fulgores amantes da multiculturalidade.
As mentes diafragmáticas estão fechadas...
O flash não mais dispara feito clarão relâmpico, para
iluminar todo o breu da minha escuridão notúrnica, que
precisa urgentemente
dessa tua imagem resplandecente para
reacender o fogo e dissipar a diáspora para o
Tártaro mais profundo da existência de Gaia.
(Amanhã será outro dia e nele a certeza da tua foto hei de imprimir!)
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
O CORO (OU...
© by João Batista do Lago
Nas terras de Lisárbukus
A Humanidade se repete
Na ignomínia dos desejos
E as almas sem qualquer pejo
A toda miséria se submete
Oh! Triste Humanidade
Carece por toda eternidade
Da Virtude e da Justiça
E assim condenada vive
No gerar-se e no morrer-se
Oh! Filhos de Lisárbukus
Teu destino não é diferente
Das almas de antigamente
Repetes a miséria do mundo
Nesse teu espírito de dor ingente
Teu caminhar, filhos de Lisárbukus
Erra em campos ermos e plangentes
Choras todas as dores da não-essência
Da tocha de fogo em constante ausência
Que te condena à eternidade de indigentes
Os filhos de Lisárbukus são órficos!
Deuses e deusas de toda eternidade
Condenaram os filhos de Lisárbukus
À miséria sem pena nem piedade
Errantes são? São águias… São urubus
Oh! Filhos tartáricos de Lisárbukus
Teus destinos não são desatinos dos deuses
A desgraça... a dor... a peste... e a morte
São as conjurações da vida gerida
São tributos da tua própria sorte
Enfim... é este o teu único destino
Homens e mulheres de Lisárbukus
Parir a sorte para evitar a morte
Derrotar os encantos dos desatinos
Para alçar voo à Virtude dos deuses
(Esta poesia é o Canto Introdutório do drama, em três atos, LISÁRBUKUS, que escrevi; mas que estou no momento fazendo uma revisão, para, posteriormente, publicá-lo. Todo o drama ocorre num país imaginário onde a disputa pelo Poder é a trama central).
domingo, 4 de novembro de 2007
NUMA NOITE DE FINAL DE VERÃO
© by João Batista do Lago
O mais leve toque de minhas mãos no teu corpo
dá-me a impressão do puro desvirginamento
de toda doçura que reside com tamanha candura
nas tuas curvas agora cobertas pelo lençol
mas que ainda há pouco sugava meu suor
em frêmitos gemidos de prazerosa sede carnal.
Não me contenho diante de tanta beleza (e)
vagarosamente, sutilmente, descortino tua pureza
para gravá-la no mais fundo dos meus olhos (e)
tatuá-la no mais recôndito da minha consciência
para jamais esquecer toda ternura das tuas curvas
que me fazem enlouquecer de louca paixão.
Como se tivesse tocando na mais nobre rosa
vou-me imbricando entre as pétalas da tua alma
nascente do mais puro perfume que jorra amor (e)
aos pouquinhos vou-me perdendo no teu mar
vou-me afogando (e) vou-me afundando na paz
do mais puro gozo que reluz de ti.
sábado, 3 de novembro de 2007
PALAVREIRO
© by João Batista do Lago
Por que essa vontade louca de
Tudo encerrar na palavra?
Afinal, não é o pensamento que lavra
A gleba de imagens de larvas que a
Alma jamais deixa transigir?
“- A palavra não encerra minha alma!”
Essa é a grande mentira do poeta:
Depois da palavra ele jamais se acalma.
Retorna ao labirinto de sua lavoura
Revira a terra do ser e do não-ser
Para reencontrar na palavra
Qualquer sentido para renascer.
Encerrado na mais profunda dor
Dorme o poeta – eterno sofredor! –,
Mas ao acordar toma a palavra para
Tombar a terra e plantar o amor
Ah, o poeta! Este eterno enganador,
Veste-se da palavra mais pura e bela,
Ou mesmo da palavra mais amarela,
Para sugerir que não é um sofredor
Mas, sabe ele, que a palavra mais bela
Jamais lavra a terra infértil que desvela
Toda dor que sua palavra não revela;
Insiste: “- A terra do ser é fértil querela!”
NÔMADE
NÔMADE
© by João Batista do Lago
Caminho-me dentro do eu-cidade
Perambulo entre avenidas sofridas
Vago ermo procurando a felicidade
Deusa ausente desta cidade vencida
(Macabra)
Monstruosa no seu lamento profano
A cidade me açoita feito vagabundo
Insano; escorregadiço entre humanos
Viajo a saudade da solidão do mundo
(Sânscrito)
Entre os tijolos do sagrado vou
Construindo os deuses da cidade
Velha moradia; mórbida felicidade
Onde o ser sem palavra ficou
(Marginal)
Desço às profundezas da marginalidade
Invisível sujeito castigado pelo ócio da
Produção de classes marginalizadas nos
Guetos dos templos sagrados do moderno
[…]
Na cidade macabra
Caminho minhas dores
Sânscrito deserdado
Marginal dos amores
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
MODELO
© by João Batista do Lago
Vocês vêem ali aquela mulher?
Ah, como era bela e formosa!
Jovem, aquela mulher,
Despertava paixões,
Encantava poetas.
Uma luxúria, aquela mulher.
Uma celebridade, aquela mulher.
Vocês vêem ali aquela mulher?
Ah, como era bela e formosa!
Jovem, aquela mulher,
Agora, desperta pena e dó
Não tem mais passarelas
Não encontra mais poetas tagarelas
E morre-se lentamente anoréxica
terça-feira, 30 de outubro de 2007
MARAVILHISMO
© by João Batista do Lago
Pari-me aqui e acolá de
Mãe eterna assexuada
Sou assim parteiro de mim
– eu mesmo enfim –
Gritei toda dor placentada
A noite muda gritou no dia
Fez reverência a toda miséria:
“Maravilhas!” – soaram as cornetas
Heróicas torres das Artes
Aqui e acolá foram feitas
O século agora pode exibir
Pode ofertar aos proxenetas
Pode da Virtude querer exigir
Salmos e cânticos a baionetas
Dizer a todos: “Venham ao elixir”
Encantados – o parteiro e eu –
Segredados em noite e em dia
Parimo-nos no poeta, no artista
Brindamos à cortesia capitalista
Damos graças à fome em agonia
Agora não são apenas sete os ricos
Também não são apenas as sete irmãs
Pari-me aqui e acolá – há-me em todo lugar –
Até no alto do morro está Alá a brilhar
Abraçando a miséria em farto ejacular
Maravilha-se: “Ó santa pobreza!
Tua é a miséria e minha é a beleza
Manter-vos-ei sob os meus pés
Guardar-vos-ei nos sopés da montanha
Guarda-alma de miséria tamanha”
domingo, 28 de outubro de 2007
IMAGINEI FAZER UM POEMA DE AMOR
© by João Batista do Lago
Imaginei fazer um poema de amor
Cantar a beleza da vida
Falar dos rios – e dos peixes
Conversar com os animais
Sentar-me à sombra de uma mangueira
Escutar a voz do vento
Ouvir a sinfonia da floresta...
Imaginei...
Imaginei fazer um poema de amor!
Mas como cantar a vida
Se dela toda sorte é toda morte?
Como falar com os rios – e os peixes –
Se deles restam apenas sorte?
O que conversar com os animais
Se eles são apenas restos mortais?
Imaginei...
Imaginei fazer um poema de amor!
As mangueiras sem sombras estão
São sós carvão e brasa – e fogo –
O vento - quanta magia! – já não assovia
Virou aluvião: pavor e inundação
As florestas! Ah, essas então, pedem socorro
E executam em pranto seu último réquiem
Imaginei fazer um poema de amor
Mas toda miragem lírica era somente dor!
EUNUCO
© by João Batista do Lago
Ah! Essa tola e infantil vaidade
Ainda sequer pela vida gerada
Imbecil e arrogante mocidade
Entulho da verdade famigerada
Desfila sua arrogante jovialidade
Julga-se da Poesia o grande Apolo
Ó, eco de velhos casarões da cidade
Indigno de dizer-se: “- Extrapolo!”
Desconhece a humildade necessária
Arroga-se agora deus da palavra (e)
Fere de morte o Templário que lavra
Sua triste e torpe alma desnecessária
Condenada a penar por séculos afins (a)
Infeliz mocidade aventureira da sorte
É verme sem versos da cidade que morre
Prenhe de demônios que se julgam serafins
sábado, 27 de outubro de 2007
IDEOGRAMA
IDEOGRAMA
© by João Batista do Lago
Hoje acordei com alma da Paixão
Quero este dia na minha eternidade
Reencontrar a criança que deixei lá atrás
Reviver minha infância (e)
Retornar a adolescência (e)
Reencontrar-me eterno neste instante
Hoje estou apaixonado pelo Amor
Quero-o em sua plenitude
Tomar tua mão… Andar por aí…
Passear em teu corpo sem pedir perdão
Sentir o teu gosto de açucena
O teu perfume de mulher
Ah, hoje acordei como as árvores
Translúcido de galhos e de frutos
Prenhe de orvalhos desnudos
Sedento em saciar a sede da Virtude
Plena raiz de harmonia com a terra-mãe
Sem pedir perdão para ser feliz
Hoje sou a Paz mais profunda
Desperto para o abraço mais apertado
Trago n’alma toda ideografia do Amor
Tatuagem plena de saber-te Eu
Sinal de quem deseja derrotar a dor
Marca da vitória sobre o Homem sofredor
= = = = = = = = = =
Crédito da Ilustração: http://www.ebanataw.com.br/roberto/fengshui/kanji/RMWamor.jpg
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
HEDONISMO
© by João Batista do Lago
O capricho dos deuses
É pura ignomínia
Destinaram-me aos prazeres
Mas roubaram-me a hedonímia...
Assim subjugado
Maldito e condenado
Carrego este fado
Maldito – repito! - este destino
Que me tira o rumo e o tino
Das vidas outrora prazerosas
Entre deusas amorosas
Que a Juventude carnosa
Virtuosa e valorosa – em rosa
Reinava em bacantes dionisíacas
Depois dos vários prazeres
Restou-me deles os faleceres
Das fugacidades vivídicas
Hoje nem mesmo os saberes
De aretes apolínicas são verídicas
Aretes não são hedônicas – são vidas jurídicas
Distante – e longe – das bacantes dionisíacas
Mas negam-se os deuses
Aceitarem tamanha tirania
Desde os tempos de Elêusis
E para resgatar a Ética
O grande Zeus já dizia:
“- Não são os deuses, mas sim os próprios homens,
que pela sua imprudência aumentam os seus males”.
[…]
Maldito e condenado
Carregando este fado
Assim subjugado
Este Homem sem destino – sem tino
Segue transferindo seus lamentos
Procurando encontrar para suas dores
Um campo dêitico para deitar seus horrores
CARTA PARA OUTRO-EU
Olá, meu caro.
Há quanto tempo não nos falamos!
Gostaria de ter notícias tuas...
Como andas? O que tens feito da vida?
Sabes, ainda ontem andei pensando em nós dois.
Quando éramos crianças (lembras?)
brincávamos no alpendre lá de casa,
corríamos por entre quartos, paredes e corredores...
Ah, o Rex sempre nos atormentando,
atravessando nossos caminhos
mordendo nossos tornozelos...
- Parem, meninos, parem com essa correria.
Gritava mamãe sempre que passávamos por ela,
escrava que era daquela máquina de costurar:
tchic, tchic... tchic, tchic... tchic, tchic... tchic, tchic... tchic, tchic...
tchic, tchic... tchic, tchic... tchic, tchic... tchic, tchic... tchic, tchic...
Assim ela ia cosendo nossas vidas, nossas histórias... e nossas estórias.
Dia após dia de intermináveis costurares!
Mas nós continuávamos a brincar, a correr, a pular:
E ela: - Parem, meninos, parem com essa correria – insistia em nos alertar.
E a máquina: tchic, tchic... tchic,tchic... tchic,tchic... tchic, tchic... tchic,tchic...
tchic, tchic... tchic,tchic... tchic,tchic... tchic, tchic... tchic,tchic...
Ah, meu caro, tenho pavor às saudades, mas
percebo que hoje, ao alcançar esta minha idade,
elas se apresentam tão salientes que são difícil não escutá-las.
Elas estão presentes em tudo e em todos os lugares!
Ó, amigo, essas saudades são de amargar, me
incomodam e se instalam em qualquer lugar
ficam o tempo todo a me vasculhar...
Saudades são como carrapatos de almas,
verdadeiros parasitas inconfessos
sanguessugas de velhas e novas lembranças, (que)
roubam a consciência da presente esperança.
Sabes! Hoje tenho nítida sensação de me haver
internado numa masmorra. Sinto-me preso.
Estou isolado num infinito labirinto.
Não sei quando entrei... e nem por onde.
Não encontro portas de saída. Estou só.
Vago noites e dias entre as paredes frias da
minha masmorra sem portas. Ouço o
lamento do vazio num eterno calafrio de
vozes que me vêm do além mais próximo de mim:
ecos de dores... de horrores. São
quermesses do nada exaltando o meu fim.
Vês, meu caro, o quanto sinto tua falta?
Preciso-te. Necessito alentar minha dor, pois
somente a palavra do poeta – palavra de sofredor! -
não resolve a carência maior de minha paixão em flor.
Sim! Preciso-te, caro amigo, para
novamente corrermos entre quartos, paredes e corredores
conversarmos com o vento e a infância, sem
precisar ficar espantado com a adulta ignorância.
Sim! Preciso-te. Urgentemente preciso-te.
Preciso-te para viver minha eternidade de criança.
Preciso-te para sair desta masmorra. Deste labirinto.
Abraço-te, meu caro.
Eu.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
EUNOMIA
© by João Batista do Lago
Não sou filho,
Apenas - e só –,
da Idiotia.
Mas sou filho,
Apenas – tão só –,
da Política:
na transcendência
sou imanência;
do divino, sou o profano;
da exterioridade sou a subjetividade;
da phisys sou o espírito;
no sensível sou res extensa
no inteligível sou res cogitans
[…]
Sim, sou filho
Apenas – e só –
da Metafísica,
da Matemática,
da Ilusão e
assim sou Razão.
[…]
Sou Zeus.
Sou Mito.
Sou Deus.
[…]
Sou tríade:
Idéia Absoluta.
Uno.
